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Se o início do ano tem sido difícil, este texto é para você

  • Foto do escritor: laura zago
    laura zago
  • 5 de jan.
  • 3 min de leitura

Feliz Ano Novo, adeus ano velho, que tudo se realize no ano que vai nascer, muito dinheiro no bolso e saúde pra dar e vender. É com essa música que muitos começam mais um novo ano.


Falamos muito sobre a esperança de recomeçar, fazemos metas, criamos expectativas e, muitas vezes, desejamos estar dentro de cenários que idealizamos como os melhores a serem vividos. Porém, pouco falamos sobre a pressão enorme que colocamos em nossos próprios ombros. Não colocamos na ponta do lápis que, junto das metas, podemos nos sentir perdidos ou extremamente ansiosos ao lidar com tantas expectativas. A realidade é que o começo do ano pode ser um tempo de recomeços, mas também pode ser turbulento.

Vamos pensar no início do ano como uma grande alavanca: ela está no centro de tudo e disponível para todos. Mas há um detalhe, essa alavanca existe em diferentes tamanhos e pode estar muito bem escondida. Cada pessoa tem sua própria trilha para encontrá-la. Nesse caminho, podem existir pedras, espinhos e árvores caídas. Quem já conhece o mapa do próprio caminho consegue avançar com mais facilidade; quem ainda não o tem precisa explorar, testar possibilidades e descobrir qual percurso faz mais sentido. Às vezes, insistimos em uma alavanca que não é a nossa e gastamos muito tempo nisso, gerando desgaste e até sofrimento. A verdade é que o seu caminho e a sua alavanca são únicos e só você pode descobri-los.


A esperança de recomeçar pode existir, assim como os desejos, anseios e expectativas. Tudo isso faz parte do processo. Porém, é importante lembrar que não nos tornamos pessoas diferentes apenas porque o ano mudou. Somos pessoas com histórias construídas ao longo de anos, com traumas, aprendizados, resiliência e experiências que merecem ser compreendidas antes de serem transformadas. Antes de mudar, precisamos entender o que realmente é importante para nós. O que você gostaria, de fato, que fosse diferente? Isso tem a ver com você e com seus valores, e não com metas baseadas em comparação, culpa ou desvalorização pessoal.

O começo do ano pode ser um convite não apenas para criar metas, mas para olhar para dentro e reconhecer o que realmente importa. A ansiedade diante das expectativas é natural, mas ela não precisa se tornar um obstáculo intransponível. Quando aprendemos a acolher nossos pensamentos e emoções, em vez de lutar contra eles, abrimos espaço para viver de forma mais consciente e alinhada aos nossos valores.

A Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT) nos lembra que não precisamos esperar que a ansiedade desapareça para seguir em frente. Podemos aprender a caminhar com ela, sem que ela nos paralise. Alguns exercícios simples podem ajudar nesse processo:


  • Exercício da respiração com observação dos pensamentos: sente-se por alguns minutos e observe sua respiração. Quando pensamentos surgirem, imagine-os como folhas descendo por um rio. Você não precisa segurá-los apenas deixá-los passar.


  • Identificação de valores: escreva três coisas que são realmente importantes para você neste ano (como família, saúde ou aprendizado). Pergunte-se: minhas metas estão conectadas a esses valores ou apenas a expectativas externas?


  • Ação comprometida: escolha uma pequena atitude diária que reflita seus valores. Pode ser ligar para alguém querido, caminhar por dez minutos ou reservar um tempo para leitura. O importante é agir de forma consistente, mesmo diante da ansiedade.


Esses passos não substituem o acompanhamento profissional, mas podem abrir uma trilha de autoconhecimento. A psicoterapia é um espaço onde você pode explorar sua história, aprender a lidar com suas emoções e construir um caminho mais leve e significativo. Talvez este seja o verdadeiro recomeço que o novo ano pode oferecer: não apenas novas metas, mas a oportunidade de cuidar de si e investir em quem você é.


Laura da Silva Zago

Psicóloga

CRP 06/178820



 
 

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